São Paulo, 25 de Maio de 2007
Sete da noite. Cinco graus lá fora, um frio danado. De manhã cedo, seis e meia, gelado também... Caminhando pelas ruas perto de casa, vi um homem deitado na calçada, encolhido e desabrigado em suas roupas de mendigo, a cabeça encostada num canteirinho da rua. Travesseiro de cimento e folhas.
Terminei meu trajeto, voltei para casa, e preparei um copo de café-com-leite quente e um sanduiche de pão de forma, e, carregando minha sacolinha com um conforto provisório para o homem da calçada, refiz meu caminho. Mas já não havia ninguém, só o vigia de uma casa em construção que saía, estremunhado, para um novo dia de trabalho vigiando os passantes. Perguntei pelo mendigo e fui informada do óbvio, ou seja, que ele já tinha ido embora. Ofereci o lanche para o vigia, que aceitou o presente com entusiasmo, e voltei pensando nos sem-teto.
Pensei que quase nunca penso nos sem-teto, que são tantos, e com certeza sofrendo com esse tempo gelado. Os sofredores da rua...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
2 comentários:
Com certeza esse homem recebeu a energia do seu amor, talvez porisso tenha se levantado e saído rapidamente, menos vazio.
A sua ternura é sentida de longe, isso eu sei.
Bom poder te encontrar aqui.
Bj
Vicky
Cissa, muito tocante esse relato. A capacidade do poeta transformar sensações e sentimentos de um cotidiano em palavras é um dos melhores confortos e consolo diante as maldades e tristezas mundanas.Bjs, Mariana
Postar um comentário