quarta-feira, 11 de maio de 2022

Saudades do Piauí

Seis e meia da tarde, temperatura caindo. Meus pés congelam. Penso com alguma nostalgia no calor do Piauí. Me apaixonei pelo Piauí, pelas cidadezinhas antigas e tão arrumadinhas em volta das praças sombreadas, os nomes saborosos: Piripiri, Piracuruca, Cocal, Buriti dos Lopes... pela ingenuidade de nomearem Pedro II "a Suiça Piauiense" por causa da altitude (700m acima do nível do mar.)    Nunca vi redes tão lindas, nunca imaginei rendeiras de bilros tão jovens e faceiras. E os mistérios do Parque Nacional de Sete Cidades? e a vastidão do Delta do Parnaíba? e o vento incessante levantando os kite-surfers em voos coloridos na praia de Barra grande?

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Noite de muito frio

São Paulo, 25 de Maio de 2007

Sete da noite. Cinco graus lá fora, um frio danado. De manhã cedo, seis e meia, gelado também... Caminhando pelas ruas perto de casa, vi um homem deitado na calçada, encolhido e desabrigado em suas roupas de mendigo, a cabeça encostada num canteirinho da rua. Travesseiro de cimento e folhas.
Terminei meu trajeto, voltei para casa, e preparei um copo de café-com-leite quente e um sanduiche de pão de forma, e, carregando minha sacolinha com um conforto provisório para o homem da calçada, refiz meu caminho. Mas já não havia ninguém, só o vigia de uma casa em construção que saía, estremunhado, para um novo dia de trabalho vigiando os passantes. Perguntei pelo mendigo e fui informada do óbvio, ou seja, que ele já tinha ido embora. Ofereci o lanche para o vigia, que aceitou o presente com entusiasmo, e voltei pensando nos sem-teto.
Pensei que quase nunca penso nos sem-teto, que são tantos, e com certeza sofrendo com esse tempo gelado. Os sofredores da rua...